Crônica: De que lado você está?


Por Claudimar Silva

Não tem jeito! Icapuí é sim umacidade dividida. Além das “categorias oficiais” que nos dividem socialmente,Icapuí se divide também pelas cores das bandeiras políticas.  Por mais que tentemos nos abster dessa “obrigação”de ter que escolher um lado, de “pertencer” a um grupo político ou a outro ou aoutro (afinal são 3 lados nessa eleição), sempre chega o momento de definirmosnossa posição partidária. 

Isso está entranhado em nossa cultura popular, nossocostume de ir às ruas - às vezes para lutar por nossos ideais, às vezes só parasair de casa mesmo, engodar. Seria o tempo do IBGE acrescentar em seusquestionários do censo algumas novas perguntas, do tipo: qual sua corpreferida, qual sua bandeira ou seu animal predileto (sim, além das cores querepresentam os partidos políticos em nossa cidade, há também mascotes, bichinhosque cada eleitor adota para ser o seu “slogan” de campanha).

Vocês me dirão que existe aqueleeleitor que vive à margem disso tudo, que não participa de nenhum grupopolítico, que não aprecia muito a política e não se envolve. É o eleitor queassiste tudo de longe e não dar “pitaco” sobre quem vencerá ou perderá aeleição – é o eleitor em cima do muro. Porém, mesmo sem querer, esse eleitortambém escolheu seu lado: o da incógnita, da dúvida, do voto incerto. Esse tipode eleitor que não se manifesta é uma “tortura” para qualquer candidato e sãodisputados a unhas e dentes. É cortejado, cobiçado e rogado a levantar a bandeirapara que todos vejam e saibam do seu apoio à bandeira tal – nem sempre issofunciona.  Esse eleitor, certamente, é oque enxerga melhor a conjuntura política em qualquer momento, em qualquer circunstância,pois analisa de forma imparcial e sem a influência que acomete os “partidários”(principalmente aqueles fanáticos, que só enxergam o seu candidato, para eles todosos outros candidatos não serve).

Tive pena da situação que umamigo ali vive. O coitado está sendo rejeitado pelos próprios familiares e algunsamigos simplesmente por ter “virado” de lado. Nascido e criado no seio de umafamília declaradamente apoiadora de um partido acolá resolveu mudar de “cor”, depoisde anos e anos sacudindo a bandeira que todos de sua casa sacudiam. Por motivosque preferi não esmiuçar, tal amigo vive hoje um verdadeiro “apartheid”político: uma segregação colorífica. Tem que suportar diariamente as “piadinhas”recheadas de provocações e não aceitação da nova “identidade” partidária – mas,a bandeira de sua nova cor continua lá pendurada no meio de tantas outras, deoutra cor.

O mais curioso disso tudo é que,num universo político dinâmico e constantemente mutável, nossos políticostransitam livremente por entre a infinidade de siglas partidárias existentes. Dependendoda situação, optam pelo partido que reúne as melhores condições de elegibilidadenaquela ocasião. Cada eleição guarda suas características bem guardadas, já quea população de modo geral desconhece os nuances dos bastidores. Quando menosesperamos chega a notícia de que político fulano trocou o partido A pelo B peloC.... quantas vezes forem necessárias para atender sua conveniência política.Isso é absolutamente democrático, legal e não causa tanta estranheza quanto amudança de lado que um eleitor faça causa no cenário político local. Ou seja, opolítico fica livre para optar pelo que é “melhor” para ele, mas o eleitor(coitado) precisa enfrentar a tudo e a todos caso deseje escolher o que é “melhor”para ele.

E tem mais. Levantar asbandeiras, pregar adesivo no carro, na moto, na casa, pintar o muro, dizer queagora tá com fulano, nada disso é suficiente. O eleitor que fez sua escolhaabertamente, tem que participar de todos os eventos. Tem que tentar arrastarmais gente, um amigo, um parente, aquele vizinho inerte. Esse eleitor tem queir para as carreatas, tem que buzinar e fazer barulho – empolgação é o segredodo negócio político. Tem que mostrar aos que não participam e ficam na beiradas calçadas observando o cortejo e contando quantos carros, motos e pessoasali estão, num ato de provar que realmente está apoiando aquele candidato. É a melhor hora para ver se mais alguém mudou de lado.

Para o eleitor que declara seu voto, não basta ir para ascarreatas. Tem que ir e dar aquele “tchauzinho” para o seu candidato, reafirmandoque está com ele e não abre – até que a próxima eleição os separe.

E você. De que lado você está?

Comentários

  1. Excelente sua crônica. Detalhemos no entanto aqueles eleitores ditos "em cima do muro". Além dos simpatizantes do GALO (13) do JACARÉ (15) e do PAVÃO (19) existem os que estimam o CAMALEÃO (S/Nº). Estes mudam de cor a qualquer momento dependendo de seus interesses individuais imediatos.
    Existem ainda os apreciadores do ARCO-IRIS, isto é, estão com todas as cores ao mesmo tempo, como diz a marchinha carnavalesca "DE DIA É MARIA, DE NOITE É JOÃO".
    EITA TURMA SABIDA ...

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  2. "Estou do lado do bem, com a luz e com os Anjos"...
    Sendo o voto livre e soberano e tendo direito ao livre arbítrio, em tempos "Democráticos", alguns ainda não respeitam a tomada de decisão.
    Mais ou menos assim: Quem vota em 'A' é Burro, quem vota em 'B' é inteligente e quem vota em 'C' é por puro interesse.
    Cada um vota em quem quer e acabou.. Ou a política não é um jogo de interesse?

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  3. Icapuí tá num momento tão crítico que, para que todos ganhem, é preciso perder um pouco. Deixar os interesses pessoais de lado nem que seja uma vez na vida e partir pro coletivo: mais saúde, educação, economia.
    Pq é muito bonito alguém de fora falar mal da nossa cidade, né não?

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  4. Prezado leitor "Redondinha",

    Seus comentários aguardam moderação para ser postado. De acordo com a política deste blog, evitamos publicar comentários de leitores a qual não identificamos.

    Solicitamos de Vsa. que se identifique e nos informe um email para contato.

    Abraços.

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  5. AQUI ESTÁ A RESPOSTA:

    O VOTO

    Profº Antônio José

    O dia 13 de novembro
    Chega a todo vapor.
    Coincidência ou propósito?
    Assim quer Nosso Senhor
    Que essa eleição aconteça,
    E o povo não mais padeça,
    Nas garras do opressor.

    Votar é uma obrigação
    Um ato de democracia.
    Escolher seu governante,
    Exige sabedoria.
    Não vote por emoção,
    Mas use a sua razão,
    Pensando na melhoria.

    Deve-se questionar
    As várias candidaturas.
    São elas democráticas?
    Ou são elas ditaduras?
    Quem tem proposta decente?
    Um discurso coerente?
    Vergonha, ética e lisura?

    Sabe-se que esses valores
    Andam raros hoje em dia.
    Mas ainda se encontra
    Gente de grande valia.
    Gente que pensa em gente,
    Agindo bem diferente,
    Sem usar demagogia.

    Chega de imoralidade
    Cambalacho, corrupção,
    Hipocrisia, nepotismo,
    Clientelismo, enganação,
    Politicagem, indecência,
    Baixaria, incoerência,
    Contra isso, diga não.

    Icapuí é uma cidade
    Que cresce com sua gente.
    Conhece o joio e o trigo,
    O passado e o presente.
    Por isso escolherá bem
    O candidato que tem
    Um perfil bem diferente.

    O voto é arma secreta
    O candidato uma opção
    A urna um suporte técnico
    E você um cidadão.
    Portanto, na hora de votar,
    Ponha a cabeça no lugar,
    E ouça a voz da razão.

    Faça valer o direito
    Que na luta foi conquistado.
    De escolher o seu candidato,
    De votar e ser votado.
    Voto não é mercadoria,
    Pense nisso noite e dia,
    E diga se estou errado.

    Escolha o seu candidato
    Independente de cor,
    De religião ou raça,
    De beleza ou de favor.
    O voto é igual tesouro
    Valioso como ouro
    Pense nisso eleitor.

    Fica aqui minha mensagem
    Nesse meu texto poético.
    Quem não sufraga seu voto
    Vai ver que é pra lá de cético.
    Quanto vale o seu voto?
    Gasolina, carro, moto?
    O meu tem um valor ético.

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  6. Essa bela poesia merece ter uma postagem só pra ela. Vou providenciar isso!

    Abraços

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